Havia exatamente dezessete olhos na sala obscura.
espera-se que os olhos venham em pares – até mesmo os caolhos possuem dois -, mas eu não conseguia encontrar o companheiro daquele que me fitava. Tinha a íris quase amarela e a pupila muito pequena, me fuzilava com tamanha agudez que tornava impossível distinguir o que o continha.

Um olho, apenas um, pequeno e frio, que me enxergava através de alguma inominável profundeza, da escuridão faminta. Os outros eram pares e possuíam rostos que esperavam resignados por algo. Uns perdidos, mortos; outros faíscavam e mesmo esses diabólicos olhos se abaixavam em humilde reverência ao que estava prestes a se revelar do outro lado da porta.