sol-mó
…ao fim da infinita estrada, essa pocilga ousava me expulsar. nas tábuas velhas do balcão, na ruga insistente que ostentava o anão perneta atrás dele, no som do rádio abafado pelas asas de quantas moscas, no pó que recobria as garrafas sobre a prateleira mais alta; em tudo a voz que me enxotava.
Lá fora o sol ralava o asfalto, lá fora o sol-mó, esfarelava as pedras mais duras. Respirar essa limalha, cascalho de mica garganta abaixo, podia sem sair daqui.
Toda a valentia que eu não tinha, o ventilador: ainda, passados todos esses miseráveis instantes, se mantém pendurado no teto, tentando sem sucesso completar um giro através dessas toneladas de ferro.
About this entry
You’re currently reading “sol-mó,” an entry on Fugere Urbem
- Published:
- Maio 15, 2009 / 12:03 am
- Category:
- Inferno
- Tags:
3 Comments
Jump to comment form | comments rss [?] | trackback uri [?]