Pavor 2

Medo. Como pluma que cai e não se pega, mas é em tentar pegar que não se pode. Digo com a autoridade de um exímio pegador de plumas, penas e afins: outros tempos, fato, mas pegava. Só deixar a mão parada que ela vem certinho… Morria de medo era da faca – da ponta -, pavor mesmo. Não do corte que ela faz, do furo ou do sangue; disso nunca houve medo. O horror é da ponta, da lâmina e do que ela pode fazer além do furo. Terror do brilho e da finura do aço.
Por isso a faca é preta, por isso nem penso enquanto ela entra fácil entre costelas. Por isso não olho enquanto limpo o sangue gorduroso com dedos nus: o Pavor não é do tato, é de ver. Não é do grito, do cheiro de merda ou da poça vermelha. Tudo isso fica morto no pé da escada da passarela vazia… Medo disso pra quê?

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