Peixe de Rio Bravo


“…e cinco de bitola!” o outro comparava com a boca da garrafa, velhaco. Duas ou três coincidências pra lembrar que isso não é sonho: O barulho da moto e a lâmpada falhando, o fundo do copo (a bitola do fundo) que se encaixa com o buraco na mesa e… Tá certo, tudo certo aqui na ilha, ouvindo tudo e respirando como se deve; nenhum puto no bolso ou na mesa para encher o saco. Se tivesse o telefone, ligava. disse a ele num ataque de romantismo; assunto recorrente a quase um mês, esse. E outros: o pessoal acredita que a prática leva à perfeição e eu achava que perfeição é quando não precisa praticar. Como vômito – nunca ouvi falar de vômito imperfeito – ou chorar; respirar não, que é difícil e demanda treino. Já dizia aquele outro, que se esquecia do primeiro fôlego de manhã cedo. Onde será que ela está? é a pergunta, a troco de nada… se tivesse o telefone, ligava: é só curiosidade, que mal tem? Muita curiosidade… Aqueles olhos de novidade! Tudo tão bom, se fosse. Mas não é? É. Tudo certo… é todo curiosidade, um gostar sem prática. Sem ficar pensando muito em como deveria ser, sem muito querer que fosse, que nem coisa nova de que se gosta: lembrava do dia em que vi o azul; da cachaça nova do Giovane – a Anne, o copim e a rede, uns tiros de espingarda para desanuviar, o frango caipira. O tempo lento do mato… tempo sem tédio. Não como aqui, onde os dias lentos são os que demoram a passar. Acho que nunca aprendi o passo do tempo nesse lugar: ele pula e pára, pula e pára. Pára e pára e pula.

“…pra matar um cara, pô!” Ao que parece, tem algo errado com o Brasil. “Deus é tão bom, cara…” o errado é ele, bandido. hoje em dia nêgo trafica armas no boteco. “Tá tudo de pernas pro ar.” na China do Mao também estava assim – as crianças levando os velhos na coleira, e daí? Ela é que não acreditou que eu fosse àquela aula. “… e eu com arma no carro!” o bandido. Interferindo na linha de raciocínio. Linha de pescar raciocínio, a bem dizer: cachaça é a isca… Em todo rio, em cada pedaço do rio, tem um peixe que manda mais.

Ela é o peixe do meu. E pescar… pescar exige silêncio e paciência

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