(lápide)

Música lá embaixo – estranha à abertura desses arcos todos – e uma lâmpada disfarçada de lua: cheiro de novidade que chega de ônibus porque não venta…

cinco, dez minutos de saudade e aqui parece em casa – esse lugar estranho, esse miasma querendo ser brisa: a saudade é o lar do solitário. dez, quinze minutos dela e se está de volta, horas de ônibus daqui… e os arcos foram junto, os tambores – ela não. ela, quando volta, traz consigo o novo e manda embora saudade e casa, velhas.

Esses arcos são mais velhos do que parecem, ou seria o contrário? Velho sou eu, de invertida saudade do novo. Velha é essa fila de ônibus que passou; e já passou. O lixo é velho. A Lua, não em tanta quantidade…

O cheiro desse lugar é velho – que nem o dum do batuque, lá embaixo – refaz meu caminho e desce no mesmo ponto – viaja seis horas a cada dez minutos de saudade, façamos a conta: seis horas vezes nove vezes dez minutos dá um dia e meio de saudade sentida em noventa minutos de falta… é por isso que esses arcos são tão velhos e essas três luas, que juntas não valem uma, têm uma luz que parece vir do futuro, do oposto da saudade: quando eu alcançar seu tempo, saudoso de casa, estarei em casa.

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