O caminho do ébrio é largo. Porém nunca o suficiente.

É preciso ter cuidado ao atravessar o viaduto, manter o foco na calçada que se estreita enquanto avança: O pensamento quer fugir, voltar à festa e se aninhar debaixo da saia daquela moça. Mas devemos manter a concentração; lembrar a todo instante da infinidade de desgraças que podem acontecer a um bêbado num viaduto. Sem levar em conta os assaltos, uma vez que não possuímos nada que valha a pena ser roubado; ou a óbvia morte por atropelamento – o que não seria nenhuma desgraça -, o grande perigo é a queda. É cansar do viaduto e descer dele no lugar errado. Imagine se, por qualquer infortúnio, nos deixamos sucumbir ao medo dessas altas e amarelas luzes ou se, distraídos pela lembrança de alguns beijos doces, acabamos por adormecer recostados na mureta? E há ainda o risco de nos perdermos de nós mesmos ao longo da interminável distância entre uma e outra extremidade. Nos vemos afastados à frente e procuramos acelerar o passo. Todavia, andando mais rápido, o caminho se alonga em curvas absolutamente desnecessárias. O melhor é parar, recuperar o fôlego e gritar que nos esperemos.

Não é possível ver o fim do viaduto, mas sentimos que ele está próximo.

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