sol-mó

…ao fim da infinita estrada, essa pocilga ousava me expulsar. nas tábuas velhas do balcão, na ruga insistente que ostentava o anão perneta atrás dele, no som do rádio abafado pelas asas de quantas moscas, no pó que recobria as garrafas sobre a prateleira mais alta; em tudo a voz que me enxotava.

Lá fora o sol ralava o asfalto, lá fora o sol-mó, esfarelava as pedras mais duras. Respirar essa limalha, cascalho de mica garganta abaixo, podia sem sair daqui.

Toda a valentia que eu não tinha, o ventilador: ainda, passados todos esses miseráveis instantes, se mantém pendurado no teto, tentando sem sucesso completar um giro através dessas toneladas de ferro.

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3 pensamentos sobre “sol-mó

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